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A vida exige escolhas

A juventude é um tempo especial para escutar apelos e fazer escolhas. A todo instante, precisamos escolher um caminho, uma profissão, uma pessoa, um candidato, um curso, um passeio, um investimento financeiro, uma roupa etc. Estamos "condenados" a escolher! Mesmo quando dizemos que não queremos uma coisa, é porque já fizemos opção por outra. Na vida, as escolhas são necessárias, pois nossa satisfação e felicidade também dependem das boas escolhas que realizamos.

Na juventude, de modo especial, a necessidade de se fazer uma opção de vida ou uma escolha profissional leva muitos jovens a se sentirem pressionados e com grande responsabilidade em suas mãos. Consequência: surgem as crises, aumentam as dúvidas e se experimenta a angústia. A dificuldade aumenta mais quando temos que escolher entre duas ou mais coisas boas. E ainda: toda escolha é também uma experiência de morte, pois sempre temos que deixar algo em troca daquilo que escolhemos.

Quando usamos o termo "vocação", é para considerar todo o movimento que fazemos como resposta a algum chamado que sentimos. Portanto, vocação não se restringe a aspectos religiosos. Todos são chamados a descobrir o seu lugar no mundo e na história. Cada ser humano é chamado a marcar a existência, de forma bonita e transformadora, engajando-se em uma causa que valha a pena, na qual ele ou ela se sinta colaborador(a), participante, fator de crescimento e gerador(a) de vida de qualidade.

Ninguém nasce já predestinado a ser isso ou aquilo. Não precisamos dizer que Deus não escolhe este ou
aquele para uma determinada coisa. É na convivência humana, com suas belezas e contradições, que descobrimos formas apropriadas para vivermos e sermos felizes. Nossas escolhas não são responsabilidade de Deus. Nós as fazemos porque encontramos algum caminho que nos conduz à meta que sonhamos e a algum projeto no qual queremos colocar a mente, o coração e todo o nosso ser. Quando assumimos um projeto, uma profissão ou um estilo de vida, é porque nos vemos implicados nele. E nele queremos gastar a vida, de forma alegre.

Para escutar um chamado, é imprescindível "prestar atenção". Ou seja, se não estivermos atentos aos movimentos da vida dentro e fora de nós, dificilmente encontraremos razão para nos envolver ou investir a vida. Somente um coração atento e antenado com a história, tecida de luzes e trevas, de graça e pecado, de conquistas e perdas, de vida e de morte, é capaz de dar respostas adequadas e comprometidas.

Responder a um chamado (= vocação) pede de nós algumas atitudes fundamentais: sintonia (= prestar atenção), escuta (= capacidade de captar a essência dos acontecimentos e das pessoas), responsabilidade (= intuir sempre uma resposta e assumir algo concreto), liberdade (= deixar-se guiar pelo coração de acordo com a inspiração do Espirito) e desejo de partilha (= sentir-se útil, colaborador, companheiro, disponível, construtor de relações saudáveis).

E onde entra Deus nisso tudo? Reconhecemos que um chamado é divino a partir da fé que nutrimos. Como já foi dito: "Deus se revela naquilo que é humano". Ou seja, quando o que fazemos ou a vida que escolhemos nos enche de alegria (mesmo quando há sofrimento!); quando nos sentimos construtores de paz e solidários com a causa humana; quando nossa "vocação" não exclui ninguém; quando contribuímos para a justiça, a ética e o cuidado com o planeta e a criação, com certeza nos sentimos envolvidos pela "onda" de Deus e sintonizados com seu coração.
Então, podemos ate dizer que nos sentimos chamados por Deus.

Se as causas do ser humano são as nossas, se a defesa da vida é nossa bandeira, se somos compassivos e misericordiosos conosco e com os demais e se somos abertos ao universo, estamos sintonizados com o plano de Deus. E essa é nossa grande vocação!

Para aprofundar o tema

Como está sua capacidade de silenciar-se, de Cultivar a interioridade e de discernir sobre as diferentes opções que lhe surgem frequentemente?

Como você tem enfrentado os momentos de fazer escolhas? Quais recursos você costuma utilizar para tomar decisões mais seguras?

Como você está "gastando" sua vida? Aquilo que você vive e faz o(a) tem ajudado a sentir o coração mais leve e feliz?

*Vanderlei Soela -psicólogo e pedagogo. Autor do livro "Cativados pelo Amor - Temas de reflexões e vivência entre os jovens". Paulinas Editora

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